O que você quer ser quando crescer?


“O que você quer ser quando crescer?”

Quantas vezes já ouvimos essa frase? Além de grandes, sonhamos ser dentistas, médicos, bombeiros, jornalistas, artistas... Eu já quis ser desenhista, arquiteta.

Mas mudei de ideia. Antes de concluir o segundo grau, já estava decidida: seria nutricionista. Até hoje não sei explicar o porquê. Era isso e pronto. Ficava me imaginando num laboratório, fazendo mil pesquisas, descobrindo a cura para doenças até então incuráveis através do consumo de alimentos. Prestei vestibular, passei e estudo Nutrição há quase cinco anos.

Como dizem por aí, a expectativa é a mãe da decepção. E foi exatamente isso que senti quando finalmente iniciei a graduação.

Ao contrário do que pensava, não estava livre de muitas coisas que sempre abominei: sempre sob muita pressão, ter que assistir aulas maçantes, quase insuportáveis, para depois decorar textos e slides e então fazer provas que no fim das contas nada provam – infelizmente, há quem acredite que o conhecimento pode ser medido por meio de notas, uma pena!

Para melhorar a situação, ainda preciso suportar os mandos e desmandos de professores ditadores que se acham semideuses (ou deuses, vai saber), todos detentores de um saber sempre inquestionável. Pergunto-me: será que existem aulas de pedagogia ou qualquer disciplina relacionada durante o mestrado? Parece que não. Mas que muitos deles deveriam assistir algumas, ah, deveriam. Quem sabe, até ler Pedagogia da autonomia. Paulo Freire ensinaria muito.

Dos colegas de olho junto nem vou falar, mas ainda bem que cobra não tem asa!

Admito também que tenho minha parcela de culpa por tanto aborrecimento, tanto desapontamento, afinal fui eu quem criou uma visão romântica do que seria a faculdade. Que tola!

Inúmeras vezes, sempre que o desespero apareceu, pensei em deixar tudo para trás e esquecer que um dia quis ser nutricionista. Mas estou convencida de que não vale à pena, de que não seria justo com meus pais e, principalmente, comigo mesma. Apesar de tudo, gosto do curso, gosto do que faço.

E ainda tem o plus: meus espelhos, duas professoras que admiro justamente por serem lindos seres humanos e por gostarem do que escolheram fazer.

E o que dizer de minhas amigas? Minhas companheiras nas conversas mais loucas e lúcidas, nas idas ao teatro, ao cinema, nos passeios pela cidade, nas comilanças, no amigo secreto no fim do ano... São elas que conseguem tornar esses momentos menos tediosos, dolorosos.

É, por essas e por outras, talvez não saiba “onde estou indo, mas sei que estou no meu caminho”.

:-)

1 comentários:

Isabel disse...

É verdade Cris: "A expectativa é a mãe da decepção". Eu bem sei disso... Mas também é verdade que sem essa mesma expectativa, não seríamos capazes sequer de darmos o primeiro passo,não sairiamos do lugar.A grande questão, segundo penso, seria exercitar a arte do improviso, como fazem os grande atores. Sendo nós atores da vida real, atores de nossa própria vida(embora muitas pessoas morram sem se dar conta disso)temos a obrigação de nos reinventarmos, todos os dias, a cada instante. Eis um conceito simples de ADAPTAÇÃO.
Compartilho contigo a mesma impressão da sua última frase.Sei que estou no caminho certo, apesar de tantas adversidades, justamente porque nele, e somente nele, encontro o ponto de luz que me faz viver, faz meus dias terem algum sentido e me faz acreditar que chegarei onde quero chegar.

Um beijão,

Isabel Magalhães

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