Fãs inexperientes (com o Repórter Inexperiente)


No último dia 30, exatamente oito meses depois de suas primeiras apresentações, Danilo Gentili e Rafinha Bastos voltaram a Salvador para mais um show, dessa vez na Concha Acústica do TCA. Foi bem difícil não rir com os dois, apesar da sensação de déjà vu - já que ambos apresentaram trechos dos mesmos textos da primeira vez vez que aqui vieram - e, consequentemente, a impressão de que o evento não passou de um caça-níqueis (dói dizer isso, mas é verdade). Não há como negar que foi bom, mas poderia ter sido bem melhor.
Tirando isso, o restanete da história foi bem divertido. No dia seguinte, o Barnabé de Santo André Danilo fez uma tarde de autógrafos do seu livro (?!) em um shopping daqui. A sessão estava marcada para as três da tarde. À uma e meia estávamos lá, nós e uma galera que já formava uma fila (que logo virou um pequeno aglomerado) na frente da livraria.

Bastou a loja ser aberta para a correria e o desespero pela compra do livro terem início. Como esperávamos ao menos poder ver o moço, passeamos um pouco pelo lugar e depois sentamos no café, onde ficamos a especular por onde ele iria chegar: pelo primeiro piso da loja ou pelo elvador que dá acesso ao estacionamento?

Reaprender as lições de Como se tornar o pior aluno da escola não cabia em nossos planos e bolsos. Então, uma de nós teve a ideia de escrever algo para ele. E asim o fez (a autora de tal bilhete não terá seu nome revelado, para que evitemos julgamentos).

De repente, ele surge, vindo do primeiro andar da livraria: "Danilo, Danilo!". Gritos histéricos e aplausos são ouvidos, e nosso 'muso' adentra a sala na qual distribuiria seus autógrafos, sorrisos, beijos e, como não poderia deixar de ser, suas piadas.

"Peguei no braço dele!". Foi isso o que ouvimos ao nos aproximar daquela criatura com mãos e pernas trêmulas, super-hiper-mega-ultra-uper-emocionada, que em frações de segundo deixou a mesinha do café e, assim como as outras duas, grudou na porta de vidro que separava os ambientes. "Ele tem os pêlos macios," completou. Hahahaha! É, mesmo com 'cara de retardado' o rapaz conquista corações. Será esse o segredo?

Então, lembra do bilhete? Tchamtchamtchamtcham!!! Foi entregue! Uma boa alma o levou junto com a agenda a ser autografada.

A dúvida no momento era: qual seria a sua reação? Ao lê-lo, Danilo sorri e, obviamente, solta uma piada-pergunta-resposta-safada: "Ela é gostosa?". Uma graça, não?

Mesmo depois do autógrafo, não saímos de lá. Permanecemos. Restava ainda uma esperançazinha de poder abraçá-lo e beijá-lo, e duas de nós ainda não tinham autógrafo. Depois de mais alguns minutos, a mais cara-de-pau foi perguntar ao segurança se poderia ir para a fila, entrar e abraçar o moço. Ao ouvi-lo proferir um sim, fomos para o final da fila que já estava pequena. "Poxa, que legal, né? Nem acredito", era só o que se ouvia.

Na nossa frente estavam duas meninas, que também não tinham o livro em mãos e que, assim como nós, queriam mais que olhar pelo vidro. E logo estávamos enturmadas. Tão simpáticas as moças. "Ai meu Deus! Será que a gente vai conseguir? Eu não tenho nenhum papel... você tem uma caneta aí?". "Calma, moça, ele tem caneta lá. Você quer papel? Eu tenho aqui.". Uma troca de favores acabou rolando, a solidariedade falou mais alto. As meninas ganharam folha da agenda e nós ganhamos uma foto, que seria tirada por elas e enviada por e-mail, pois não tínhamos nenhuma câmera em mãos. "Legal, né? Ainda existem pessoas boas no mundo." Legal, se conseguíssemos passar pelo outro segurança, teríamos foto, abraços e beijos.

Entramos na sala. A distância entre nós e ele só diminuía. A ansiedade só aumentava. "Ai, como ele é lindo! O que você vai falar para ele? Acho que vou desmaiar. Olha como eu tô tremendo", era o que se escutava lá dentro.

Chegou a nossa vez. E ali estava ele, Danilo Gentili bem na nossa frente. O que fazer? O que dizer?

"Ah, não, vão vocês primeiro." "Nada disso, vocês estão aí, vão logo!". E lá foram elas, em dupla, num misto de expectativa, nervosismo e felicidade. Depois era a nossa vez. Vamos todas juntas, determinou alguém. Está bem, vamos juntas. Depois de muitos abraços, beijos e poucas, pouquíssimas palavras (a emoção não nos permitiu muita eloquência ), lá estávamos nós, as três em êxtase, com caras de bocós, but realizadas.

Trocamos e-mails e nos despedimos das meninas. Saímos da livarria e fomos para a praça de alimentação, digerir o acontecido. Ficamos ali, meio aéreas, falando ora sobre Danilo, ora sobre outros assuntos, esperando a ficha cair.

É estranho ver de perto alguém que não se conhece além da tela da TV, mas de quem se gosta, por quem se nutre admiração. É mais estranho ainda quando pessoas, com as quais convivemos desde sempre, não conseguem inspirar nem um pouquinho que seja desses sentimentos. Enfim, esse é outro assunto.

O fato é que não tínhamos imaginado, mas naquela tarde estávamos com a sorte grande, e, sim, podemos dizer que valeu a pena, ê, ê, valeu a pena, ê, ê...

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